O que é uma oficina de teatro? Um bate papo, espécie de conversa com algumas interrupções para perguntas, onde o coordenador da oficina fala sobre sua experiência? Ou será a transmissão de alguma coisa importante aprendida no teatro, uma coisa prática, tipo um jeito de decorar ou de emocionar o público...
Ontem fui até Mogi Mirim e além de apresentar os maleficios do tabaco eu dei uma oficina.
Sei lá o que os participantes acharam... Até perguntei, mas ninguém respondeu. Eles ficam olhando a gente com cara de que estão na frente de um imenso, incomensurável desconhecido, entendido, ou sei lá que coisa, e ficam mudos, quietos, tímidos...
Primeiro fizemos uma roda, ficamos um tempo em silêncio depois começamos a andar em roda e saímos pelo centro cultural em fila indiana, em silêncio, entrando e saindo das salas de administração, sala de aula de piano, etc. Fomos sempre bem recebidos e entramos e saímos com a maior tranquilidade.
Primeira Lição: tomar conta do espaço, tem espaço à bessa, está aberto e é só cada um ocupar o seu.
Depois fizemos um TAI CHI rápido então sentamos e começamos a conversar e nos conhecer.
Ai eu fiquei com vontade de falar, de me comunicar com todos. Até agora, eu não tinha falado nada, só em silêncio, mudo, eu me comunicava, tentando passar a força da ação na comunicação, que o que fala mesmo, é a ação.
Eu falei então do que tinha acontecido, da demonstração vivida por todos da força do grupo de teatro, embora sob o olhar de alguns descrentes que ficavam me olhando como se dissessem e dai...
Pra fechar eu pensei, vamos dançar e cantar um coro;
Dançamos uma dança coros line cantando "atuar, atuar, atuar pra poder voar."
sábado, 23 de maio de 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
MOGI MIRIM
Estou a caminho de Mogi Mirim para fazer OS MALEFÍCIOS DO TABACO e também dar um oficina de teatro. Acabo de assistir a peça CACHORRO MORTO feita por jovens atores e saio meio decepcionado, porque os caras são jovens e não tem compromisso com nada mas fazem um peça que em tudo é imitação: trilha sonora legal mas imitação de trilha que dá certo, pesquisa legal mas aquela cara de pesquisa "séria", sim sei, autismo etc e tal, mas a linguagem de novela pra contar essa coisa dá um quê de chororô antigo, uma melosidade que fode e não sai de cima, ufa. A minha mulher me pega no pé porque eu não gosto de nada, mas não é assim, tem vezes que eu saio do teatro tomado por uma alegria de cachorro, confesso que não é sempre. Fui também assistir COMUNICAÇÃO A ACADEMIA, com a Juliana Galdino em composição memorável. É a história de um macaco que aprendeu como virar gente, porque se não virasse ia para o zoológico, se virasse iria para o circo de variedades, olha que beleza. Achei que ficou muito no macaco, lembrei que tenho um sobrinho que está passando da fase em que era bebê para a fase em que está virando gente. É um momento do qual vão ficar apenas lembranças, vagas lembranças... A Juliana parece mesmo um macaco em cena falando com a gente, mas eu gostaria que ela virasse mesmo uma atriz do teatro de variedades, me deixaria mais doido comigo mesmo.
Aliás fui ver DOIDO com o Elias Andreatto também. Não está tão doido assim, está muito normal. Gostei mesmo do texto que ele fala ARTAUD: o teatro e a peste, ai aplaudi.
Aliás fui ver DOIDO com o Elias Andreatto também. Não está tão doido assim, está muito normal. Gostei mesmo do texto que ele fala ARTAUD: o teatro e a peste, ai aplaudi.
terça-feira, 19 de maio de 2009
JODOROWSKY
Maria Alice Vergueiro e Luciano Chirolli estão me apresentando este criador: Alejandro Judorowsky.
Fiquei impressionado com o filme que vi SANTA SANGRE.
Lemos juntos AS TRES VELHAS uma peça que tem a seguinte história:
num quarto abandonado estão três mulheres, três velhas, Melissa, Graça e Garga parecem aristocratas, filhas distintas de pessoas distintas, mas agora estão sem nada, com fome já comeram tudo que era vivo na casa e contam com a fantasia para não se entregar totalmente aos sentidos mundanos da vontade de comer.
Graça consegue uma festa, cock-tail dos mais refinados, com os canapés mais apetitosos, mais saborosos, salivam só de pensar quanto de gostoso é, com direito a salgadinhos (canapés, cochinhas, empadinhas, sanduiches de presunto com maionese) e uma noite de amor, desses que a gente só tem poucas vezes na vida.
Mas tudo se acaba e o encanto se quebra.
Então elas tem que tomar uma decisão: aceitar o patrocínio dos refrescos lulu para continuar a sonhar ou viver a realidade da fome.
Aceitam pra harmonizar realidade e sonho.
Fiquei impressionado com o filme que vi SANTA SANGRE.
Lemos juntos AS TRES VELHAS uma peça que tem a seguinte história:
num quarto abandonado estão três mulheres, três velhas, Melissa, Graça e Garga parecem aristocratas, filhas distintas de pessoas distintas, mas agora estão sem nada, com fome já comeram tudo que era vivo na casa e contam com a fantasia para não se entregar totalmente aos sentidos mundanos da vontade de comer.
Graça consegue uma festa, cock-tail dos mais refinados, com os canapés mais apetitosos, mais saborosos, salivam só de pensar quanto de gostoso é, com direito a salgadinhos (canapés, cochinhas, empadinhas, sanduiches de presunto com maionese) e uma noite de amor, desses que a gente só tem poucas vezes na vida.
Mas tudo se acaba e o encanto se quebra.
Então elas tem que tomar uma decisão: aceitar o patrocínio dos refrescos lulu para continuar a sonhar ou viver a realidade da fome.
Aceitam pra harmonizar realidade e sonho.
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