quinta-feira, 11 de junho de 2009

SÃO PAULO E RIO CAMPEÕES DA ROUANET

o ministro da cultura fala bem.
gostei mesmo do jeito dele falar, retórica baiana, entusiasmada, assertiva, mas nem tudo eu concordo.
a retórica é boa: tirar dos ricos pra dar aos pobres.
Enttão ele coloca as coisas assim: São Paulo e Rio conseguem juntos mais de 80% da renúncia fiscal da rouanet, o nordeste fica com uns 8%, portanto diminua-se os oitenta, favoreça-se o nordeste. Tem cara de justo, parece.
Mas, ministro, veja bem: nem 8 nem 80 ! O que falta mesmo é mais grana pra todo mundo. Essa porcentagem não mede a quantidade e a quantidade da grana da cultura é pequena pro rio, pra são paulo e pro brasil, dai que oitenta por cento de pouco é pouco e oito por cento é mais pouco ainda. Reduzir a porcentargem só porque são paulo e rio recebem teoricamente mais? Mas SP e Rio também são brasil e também é carente, também tem muita gente, e dessa gente aquela que recebe recursos da lei é muito pouco, a mínima a parte de toda a população, idem quem tem acesso às decisões, idem quem se beneficia, etc e tal.
Mas claro que o buraco é mais embaixo.
mais grana, obvio, mas o raciocínio robin hood parece dar mais efeito, embora equivocado.
Dá vontade mesmo de falar de arte, de teatro, ver teatro na sua linguagem falando pra essas coisas todas o que essas coisas tem de ouvir.

MINISTRO DA EDUCAÇÃO E DIREITO AUTORAL

O ministro da educação estava mesmo admirado de como artistas estão atrás do direito autoral. Discussão que apareceu porque na lei a ser reformulado se fala que o artista teria que ceder após uns três anos o direito autoral da sua obra para que ela fosse comercializada, ou algo assim, sem fins lucrativos diretos (porque há os lucros indiretos).
Ou seja, o ministro dizia (com ironia) que não conseguia aceitar que um projeto patrocinado pelo estado, com renúncia fiscal, passados alguns anos, não pudesse estar disponível para o estado colocá-lo para as escolas públicas, não comercializar, apenas disponibilizar. Sabe assim, imprimir um livro, um cd, um filme, uma exposição e passar pra frente de graça, sem pagar nada de direito autoral.
Claro, e isso não deixa o ministro espantado, que soltar dinheiro para pagar outros trabalhos e materias para edição, etc, vai ter que pagar o suporte, os funcionários que vão escolher isso, as editoras que vão imprimir, os que vão editar, prensar, isso sim pode pagar, afinal o capitalismo não dorme, estamos no capitalismo, não é, mas o artista não. o artista põe em outro planeta, um planeta que dispensa grana pra comer, ir ao médico, compar livro, tinta, sala de ensaio, e põe coisa que custa (com irionia também!).
Raciocínio de jirico para jirico.

XI FESTIVAL DE TEATRO DE ILHA COMPRIDA

Estudo e me preparo para a palestra na ilha comprida.
esta semana estive numa assembléia que iria discutir a lei rouanet.
reflexão: do jeito que as coisas andam, o cara que inventasse a roda não tiraria a idéia do papel antes que tivesse o patrocínio, ou seja, qualquer peça que se tem que fazer, que se é obrigado a fazer, sabe-se lá por qual inspiração, aparentemente necessita ser aprovada numa lei qualquer, passar por um captador, obter seu patrocínio, só ai é que pode-se cogitar em fazê-la.
é o desejo, o tesão, submetido.
assim, aqueles que estavam discutindo a lei lá na associação dos advogados de são paulo na segunda feita, nem precisam falar de arte, cultura, seja lá o que for: o assunto deles é mais importante que tudo, e qual é o assunto deles: grana. Pra mais ou pra menos, pra uns ou pra outros, mas o assunto é grana, e a arte, a cultura, a criação que se arranjam.
eu estava lá presente pensando em fazer alguma coisa, falar um poema, sei lá, mas tive receio de ser exotado de lá como um lixo, um cisco naquela limpeza que não queria dizer nada.
ninguém ali falava coisa com coisa.